então, prepare-me um sonho, adormeça-me atenciosamente, e pela infinidade que tu quiseres conserve-me assim: inerte, calmo e teu, reinvente sentimentos recíprocos, flutuantes e fugazes, reinvente por completo o vivido e tudo mais que poderia ter havido em um improvável futuro do pretérito, recomponha-me com ternura a moldura dos olhos liquefeitos, já incapazes de reconhecer lugares distanciados de qualquer desencantamento de mim e de ti, mas ainda dispostos a refletirem a luminosidade que de ti se projeta em mim, e invente um “nós” que possa ser escrito sem aspas, imagine um caminho para dois, conduza-me pela mão, por entre navalhas e jasmins, por entre graças e desgraças, que seguirei orgulhoso de ti, e feliz (ainda que mudo), e confiante (ainda que cego), e ainda em ilusão confortável, refaça-me o desenho dos lábios, já esquecidos de outros beijos que não os teus, mas ainda afeitos a mostrar-te a alegria que de uma ponta à outra cabe em um sorriso meu, e por último, antes de devolver-me à conturbada consciência de estar no mundo, apague-me qualquer expectativa ou lembrança, reais ou inventadas, do que foi ou do que poderia ter sido, deixando em mim apenas a sensação ilusória de algo inexplicável: a felicidade de (em algum momento) “nós” termos sido nós
três de vez
12 horas atrás